quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cobras e Piercings



To literalmente encantada cm um livro que acabei de ler chama-se Cobras e Piercings, livro premiado da jovem escritora japonesa Hitomi Kanehara, A autora conta a história de um triângulo amoroso entre jovens que curtem body modification e práticas sadomasoquistas. O cenário é a moderna cidade de Tóquio, mas poderia ser qualquer outra metrópole onde muitas pessoas imprimem suas identidades no visual.
Lui, a personagem principal tachada como “patricinha” por sua amiga, resolve radicalizar ao conhecer o punk Ama em uma balada tecno. A garota fica fascinada pelo split tongue (língua bifurcada) do cara. Rapidamente envolve-se com ele e resolve bifurcar sua língua também para compartilhar a sensação com Ama. O terceiro elemento da relação será Shiba, um sádico com o rosto repleto de piercings e quelóides nas costas que irá trabalhar no alargamento do furo de sua língua para então cortá-la.
Em um primeiro contato, Lui acha esse universo de body modification bizarro, mas logo vê seus preconceitos serem quebrados e, quando percebe, está apaixonada por Ama e por Shiba. “Até então a imagem que eu fazia de punks como Ama era de caras que passam o dia fumando maconha e trepando, mas ele era sempre carinhoso e às vezes falava coisas sentimentalóides, que não condiziam com sua aparência”, avalia Lui, que muitas vezes reclama do sexo banal que faz ele.
Em oposição a Ama, Shiba é um sádico que no sexo combina perfeitamente com os impulsos masoquistas de Lui. O que ambos têm em comum é o desejo de matá-la e há momentos em que ela considera permitir. O livro acompanha o prazer que Lui, aos poucos, vai sentindo durante o processo de alargamento de seu piercing da língua para fazer o split tongue. Ela só consegue perceber que continua viva quando sente dor. A tatuagem de dragão de Lui preenche não só as suas costas, mas também o seu vazio existencial.
Cobras e Piercings é um retrato dos caminhos radicais que os jovens contemporâneos traçam em busca de uma identidade. A autora aborda o tema com maturidade, sem deixar os personagens caricatos, permitindo ao leitor vislumbrar a dinâmica psicológica que rege seus comportamentos. O livro de estréia da autora, escrito aos 20 anos, vendeu mais de um milhão de cópias no Japão e levou o Prêmio Akutagawa, a mais importante premiação literária do país.
Ou seja?! RECOMENDO cm uma boa dose de vodka regrado ao um bom cigarro :D

domingo, 6 de dezembro de 2009

O dia da rainha está chegando!


O Brasil é orgulhoso do grande império de suas águas. Principalmente o mar, de todas as cores, matizes e luzes é o Grande Senhor da nossa costa, que penetrando por todos os lados desse imenso país, abraça nossa terra, em enseadas, golfos e baías.

Mas apesar de sua beleza, no mar há uma força maior, uma força que impera, que reina a Senhora absoluta de todas as águas, de tudo que vive na água e possa viver. Há sim, uma força que ordena e não pede, que manda e que decide sobre o vida dos pescadores, de todos que se aventurarem a entrar em seu território e de todos aqueles que têm vistas para alcançar o verde de seu mar.

Em cada canto desses mares, nas ondas dos surfistas, nas praias, nas cabanas dos pescadores, nos altos desses montes, Ela será sempre a Grande Senhora. Ninguém pode se atrever a dizer que não é vassalo servil do grande reino de Iemanjá. Porque de fato, Iemanjá é a Rainha das águas. A tranqüilidade na superfície do mar, ou a tempestade rugindo, as ondas quebrando-se sobre as embarcações ou sobre as praias, tudo é conduzido pela sua mão suprema.

Nada se altera, nada se faz ou se transforma, sem que seja sua vontade. Iemanjá de tantos poderes, de tantos nomes e tantos filhos, sempre foi exaltada por negros e brancos e seu culto se verifica de norte a sul no Brasil.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Devil and the guy!




"Sympathy" é uma daquelas palavras inglesas que nos traem, parece significar simpatia, mas é mais do que isso, significa compaixão, solidariedade, e em alguns casos, condolências. Os Rolling Stones botaram a palavra na roda quando gravaram Sympathy for the Devil, provocando os Beatles, que se julgavam mais famosos que Jesus Cristo. Os Stones queriam justamente o contrário: fincar pé no lado oposto do céu. Eu, beatlemaníaca devota, neste aspecto rezo com a turma do Mick Jagger: também acho o diabo mais quente.

Assim como não há paraíso que não seja um pouco monótono, não há inferno que não seja um pouco excitante. Ou muito excitante. O diabo tenta, o diabo incomoda, o diabo perturba, o diabo veste Prada. Os santos são ótimos, mas têm um guarda-roupa comportado demais.

Oh, santa imprudência. O papa quase chegando aqui e eu soltando charme para Lúcifer. Eu sei, eu sei, sou a primeira a praguejar contra os tempos diabólicos que estamos vivendo e agora me saio com este endeusamento de Satanás, mas hoje quero brincar, e para brincar é preciso humor, coisa que o diabo tem mais do que seu oponente.

O demônio é criativo, é sexy, é surpreendente e pode ser um doce, quando bem tratado. Ao menos aqui em casa é assim. Quando o Nelsão se atrasa, eu não o recebo com um "Por onde andastes, Santo Deus?". Muito dramático. Eu pergunto: "Onde é que tu tava, diabo?". Não fica mais informal e carinhoso?

Basta de provocações, tem gente que leva isso a sério. E se é pra falar sério, vamos lá: não é uma bobagem celestial tentarem trocar o nome de uma queda d água, nas Cataratas do Iguaçu, só porque ela se chama Garganta do Diabo? Há seis anos que alguns religiosos tentam rebatizá-la, recuperando o nome anterior, Salto da União, que é insosso, não tem apelo turístico nem provoca calafrios. O nome Garganta do Diabo é disparado melhor. Surgiu por causa de uma antiga lenda indígena, que contava sobre uma cobra gigante que perseguia um casal de namorados. Não sei o que isso tem a ver com queda d água, mas já é uma história. Maliciosa, aliás, a cara do você-sabe-quem.

Se vão abolir o nome Garganta do Diabo, daqui a pouco vão querer trocar também o nome da Praia do Diabo, aquela pequeninha que fica à esquerda do Arpoador, no Rio, e da impactante Caverna do Diabo, a 280km de São Paulo. A troco de que esta perseguição? Deixem o diabo em paz.

O demo não é de todo mau. Sempre foi chegado às artes. Fazia visitas periódicas a Picasso, bebia com Bukowski e freqüentava o corpo de algumas beldades como Marylin Monroe e Brigitte Bardot, nos áureos tempos em que ter o diabo no corpo não era apenas força de expressão. O diabo nos deu o blues, o diabo toca guitarra. Ter inspirado James Brown, por exemplo, deveria aliviar um pouco sua pena. Eu, admito, simpatizo muito com ele. É verdade que já me deu maus conselhos, nem todos segui. Nem todos. Mas hoje não consegui evitar. Ele me possuiu e me assoprou: "a Garganta do Diabo, em Foz do Iguaçu, é um dos maiores espetáculos da natureza e não vai perder o encanto se trocar de nome, mas que vai ser uma babaquice, vai". Cartas diretamente para o próprio.