quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Devil and the guy!




"Sympathy" é uma daquelas palavras inglesas que nos traem, parece significar simpatia, mas é mais do que isso, significa compaixão, solidariedade, e em alguns casos, condolências. Os Rolling Stones botaram a palavra na roda quando gravaram Sympathy for the Devil, provocando os Beatles, que se julgavam mais famosos que Jesus Cristo. Os Stones queriam justamente o contrário: fincar pé no lado oposto do céu. Eu, beatlemaníaca devota, neste aspecto rezo com a turma do Mick Jagger: também acho o diabo mais quente.

Assim como não há paraíso que não seja um pouco monótono, não há inferno que não seja um pouco excitante. Ou muito excitante. O diabo tenta, o diabo incomoda, o diabo perturba, o diabo veste Prada. Os santos são ótimos, mas têm um guarda-roupa comportado demais.

Oh, santa imprudência. O papa quase chegando aqui e eu soltando charme para Lúcifer. Eu sei, eu sei, sou a primeira a praguejar contra os tempos diabólicos que estamos vivendo e agora me saio com este endeusamento de Satanás, mas hoje quero brincar, e para brincar é preciso humor, coisa que o diabo tem mais do que seu oponente.

O demônio é criativo, é sexy, é surpreendente e pode ser um doce, quando bem tratado. Ao menos aqui em casa é assim. Quando o Nelsão se atrasa, eu não o recebo com um "Por onde andastes, Santo Deus?". Muito dramático. Eu pergunto: "Onde é que tu tava, diabo?". Não fica mais informal e carinhoso?

Basta de provocações, tem gente que leva isso a sério. E se é pra falar sério, vamos lá: não é uma bobagem celestial tentarem trocar o nome de uma queda d água, nas Cataratas do Iguaçu, só porque ela se chama Garganta do Diabo? Há seis anos que alguns religiosos tentam rebatizá-la, recuperando o nome anterior, Salto da União, que é insosso, não tem apelo turístico nem provoca calafrios. O nome Garganta do Diabo é disparado melhor. Surgiu por causa de uma antiga lenda indígena, que contava sobre uma cobra gigante que perseguia um casal de namorados. Não sei o que isso tem a ver com queda d água, mas já é uma história. Maliciosa, aliás, a cara do você-sabe-quem.

Se vão abolir o nome Garganta do Diabo, daqui a pouco vão querer trocar também o nome da Praia do Diabo, aquela pequeninha que fica à esquerda do Arpoador, no Rio, e da impactante Caverna do Diabo, a 280km de São Paulo. A troco de que esta perseguição? Deixem o diabo em paz.

O demo não é de todo mau. Sempre foi chegado às artes. Fazia visitas periódicas a Picasso, bebia com Bukowski e freqüentava o corpo de algumas beldades como Marylin Monroe e Brigitte Bardot, nos áureos tempos em que ter o diabo no corpo não era apenas força de expressão. O diabo nos deu o blues, o diabo toca guitarra. Ter inspirado James Brown, por exemplo, deveria aliviar um pouco sua pena. Eu, admito, simpatizo muito com ele. É verdade que já me deu maus conselhos, nem todos segui. Nem todos. Mas hoje não consegui evitar. Ele me possuiu e me assoprou: "a Garganta do Diabo, em Foz do Iguaçu, é um dos maiores espetáculos da natureza e não vai perder o encanto se trocar de nome, mas que vai ser uma babaquice, vai". Cartas diretamente para o próprio.

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